segunda-feira, 30 de abril de 2012

Resumo do capíto XVI d'Os Maias

Neste capítulo dá-se o importante episódio do “ Sarau no Teatro da Trindade “. Aqui o enredo atinge um ponto culminante, quando surge, à maneira da tragédia clássica, uma situação que contribui para a mudança súbita dos acontecimentos. O senhor Guimarães, tio de Dâmaso que vive em Paris, torna-se o instrumento da fatalidade que se abate sobre Carlos e Mª Eduarda, quando entrega a Ega o cofre que Mª Monforte lhe confiara em Paris, onde se encontram documentos com a revelação de que Carlos e Eduarda são irmãos.

Com Maria já instalada na Rua de S. Francisco, terminara aí o jantar, e Ega insistia com Carlos para irem ao sarau de beneficência que se realizava no Teatro da Trindade, a favor das vítimas das cheias.
Carlos, relutantemente a principio, rendeu-se à ideia de ir, já que o Cruges era um dos atuantes. Juntamente com Ega, suportou estoicamente o discurso de um parlamentar arrebatado, ouviu a atuação do Cruges, tocando ao piano a Sonata Patética de Bethoven, e assistiu ao triunfo do Alencar, que recitou um poema da sua autoria, dedicado à Democracia, tudo intercalado com idas ao botequim e conversas de corredor com os conhecidos.
No botequim, por intermédio de Alencar, Ega travou conhecimento com o Sr. Guimarães, o tio de Dâmaso, que vivia em Paris. O senhor Guimarães tinha mostrado vontade de falar com Ega, porque se sentia atingido pelas declarações do sobrinho, na carta que o Ega redigira e o fizera assinar, fazendo-o confessar que tinha uma tendência hereditária para se entregar à bebida.
Dâmaso alegara que assinara a carta sob coação. Mas, sabendo-o mentiroso, o Sr. Guimarães (em Paris no Rappel onde trabalhava, era conhecido por monsieur Guimaran) apenas desejava que o Sr. Ega declarasse que não o considerava um bêbedo – coisa que Ega fez sem dificuldades, pois, além do mais, simpatizara com aquele patriarca anarquista e republicano.
Carlos, tendo visto Eusebiozinho a sair do sarau, foi atrás dele e cobrou-lhe com uma tareia a intervenção que tivera no caso do Jornal da Corneta. Mas, quando se tratou de regressarem a casa, os dois amigos, Carlos e Ega, desencontraram-se, e Ega caminhava com o Cruges pela Rua Nova da Trindade, quando ouviu o Sr. Guimarães a chamá-lo.
O caso é que o Sr. Guimarães sabia que o Sr. Ega era íntimo do Sr. Carlos da Maia. E ele, Sr. Guimarães, fora muito amigo, em Paris, da mãe de Carlos, que lhe confiara, antes de morrer, um cofre onde estariam, segundo ele, papéis importantes. Como estava de partida, pedia ao Sr. Ega que entregasse o cofre ou ao Sr. Carlos ou à irmã. E, perante a estupefação do Ega, o Sr. Guimarães revela candidamente ao Ega que Maria Eduarda era irmã de Carlos – aliás, o Sr. Ega devia estar ao corrente…Ega não estava ao corrente, mas, sem se dar por achado, arranca do Sr. Guimarães a história que, em tudo e por tudo, condiz com a que Maria Eduarda contara a Carlos. E, de posse do cofre, correndo para o Ramalhete, Ega realiza, atordoado, a enormidade da situação: Carlos era amante da sua própria irmã. Indeciso, primeiro, toma depois a resolução de não pactuar com essa situação hedionda e de contar tudo ao Vilaça, o procurador dos Maias, para que seja este a dar a notícia a Carlos.

Com a revelação de que Carlos e Mª Eduarda são irmãos, percebe-se que a ação se aproxima do desenlace trágico. Alguns leitores ficarão talvez dececionados com o desfecho inesperado desta história de amores sublimes entre duas criaturas dotadas de grandeza, mas, de acordo com as regras de tragédia, os finais funestos dão-se, precisamente, com personagens de caráter e de condição nobre.


Autoras: Inês Lino, nº 12, e Rita Costa, nº 22, 11º L3

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