domingo, 15 de abril de 2012

Resumo do capítulo X d'Os Maias



Este capítulo contém o célebre episódio das corridas, um episódio crítico, onde se apresenta a alta sociedade lisboeta, num evento social que se presume de civilizado. Querendo parecer chiques, os portugueses imitavam os costumes estrangeiros, importando as suas modas, neste caso as corridas inglesas de cavalos. Verifica-se que seriam mais apropriadas as touradas, tendo em conta a tradição portuguesa e também a facilidade com que afinal “ estalava o verniz “, mesmo nas pessoas da alta sociedade.
            Ocorre uma situação caricata e ridícula, quando irrompe uma discussão, sob o pretexto de que tinha havido “ batota “ nas apostas, havendo insultos e pancadaria. As mulheres fogem em gritos histéricos, perdendo também a pose e os bons modos.                

O capítulo X começa com a narração do desfecho de um encontro de Carlos com Gouvarinho e revela que Carlos já se sente farto dela: “E nessa tarde, como não havia ainda outro esconderijo, tinham abrigado os seus amores dentro daquela tipóia de praça. Mas Carlos vinha de lá enervado, amolecido, sentindo já na alma os primeiros bocejos da saciedade. Havia três semanas apenas que aqueles braços perfumados de verbena se tinham atirado ao seu pescoço – e agora, pelo passeio de S. Pedro de Alcântara, sob o ligeiros chuvisco que batia as folhagens da alameda, ele ia pensando como se poderia desembaraçar da sua tenacidade, do seu ardor, do seu peso…”.
Quando, depois, Carlos ia a descer a rua de S. Roque, encontrou o marquês. Durante a conversa, Carlos apercebeu-se que a corrida de cavalos tinha sido antecipada para o Domingo seguinte. Maia ficou contente, pois daí a cinco dias iria, finalmente, conhecer a mulher que ele vira à entrada do Hotel Central, pois certamente também iria estar nas corridas, um acontecimento social tão divulgado.
Enquanto Carlos e o marquês vão falando das corridas, Maria Eduarda passa no seu coupé, deixando Carlos ali estagnado a observá-la, enquanto Rose o aponta à mãe, explicando-lhe, talvez, que fora ele o médico que a tinha consultado: “Carlos olhou, casualmente; e viu, debruçado à portinhola, um rosto de criança, de uma brancura adorável, sorrindo-lhe, com um belo sorriso que lhe punha duas covinhas na face. Reconheceu-a logo. Era Rosa, era Rosicler: e ela não se contentou em sorrir, com o seu doce olhar azul fugindo todo para ele – deitou a mãozinha de fora, atirou-lhe um grande adeus. No fundo do coupé, forrado de negro, destacava um perfil claro de estátua, um tom ondeado de cabelo loiro. Carlos tirou profundamente o chapéu, tão perturbado, que seus passos hesitaram. “Ela” abaixou a cabeça, de leve;”.
No fim de ver passar o coupé, Carlos e o marquês dirigem-se ao Ramalhete; Maia, pelo caminho, vai traçando um plano para se encontrar com Maria Eduarda. Chegando ao Ramalhete juntam-se todos, estando também presente o Dâmaso.
Durante o jantar Carlos vai contar a Dâmaso o seu plano para conhecer os Castro Gomes: este levá-los-ia até aos Olivais para lhe mostrar a coleção de Craft e em seguida jantariam no Ramalhete.
Depois do sarau no Ramalhete, chega o dia das corridas. Carlos vai ao hipódromo na esperança de ver Maria Eduarda, mas fica desiludido, pois ela não aparece.
É Domingo, um dia quente, com o céu azul. No Hipódromo Carlos fala com a sua velha amiga D. Maria da Cunha e conhece Clifford, que era o dono do cavalo que tinha mais expectativas de ganhar e por causa de quem as corridas tinham sido antecipadas.
Entretanto, a Gouvarinho diz a Carlos que seu pai faz anos e ela tem de ir ao Norte. Propõe-lhe então que se encontrem na estação e que sigam juntos no comboio até Santarém, onde passarão a noite juntos; depois, ela seguirá até ao Porto e ele regressará a Lisboa. Carlos hesita.
Houve algumas complicações durante a prova das corridas, que causaram uma desordem, provando-se, assim, que as pessoas de sociedade que ali estavam, embora pretendessem dar-se ares de civilizadas, facilmente perdiam a postura, deixando “ estalar o verniz “.
Carlos, para animar as corridas, decide apostar num cavalo que aparentemente não promete sair vencedor, mas, surpreendentemente, o animal acaba por ser o primeiro a chegar à meta e Carlos consegue ganhar muito dinheiro.
Aqui podemos aplicar o provérbio “Sorte no jogo, azar no amor ”. Este é o primeiro presságio do capítulo: “- Ah, monsieur – exclamou a vasta ministra da Baviera, furiosa – mefiez-vous… Vous connaissez le proverbe: heureux au jeu…”
Entretanto Carlos vai falar com Dâmaso e ele conta-lhe que Castro Gomes partira para o Brasil e que Maria Eduarda está num apartamento no prédio do Cruges.
De regresso a casa, Carlos pensa na desculpa de querer falar com Cruges, só para poder passar pelo prédio onde também está Maria Eduarda, alimentando assim a esperança de a ver. No entanto, quando chega ao prédio, a criada diz que Cruges não está e Carlos acaba também por não ver Maria Eduarda.
Carlos regressa ao Ramalhete, onde encontra Craft. Um criado entrega uma carta a Carlos. Ao abri-la depara com uma agradável surpresa, pois a autora é a senhora Castro Gomes, que lhe pede para ir consultar na manhã seguinte uma pessoa de família que se encontra doente. Carlos resplandece de tal modo de felicidade que Craft percebe que lhe terá acontecido algo de muito bom. Respondendo a Craft, dá-se então um segundo presságio, nas palavras de Carlos:
“- A gente, Craft, nunca sabe se o que lhe sucede é, em definitivo, bom ou mau.
-Ordinariamente é mau.”

Prefigura-se, então, o tão ansiado encontro entre Carlos e Mª Eduarda, as duas personagens entre as quais o leitor já adivinhou a existência de uma grande atração. É altura de nos embrenharmos nesta história de amor. 


Autores: Carlos Tavares, nº 5; Rúben Silva, nº 23, 11ºl3

1 comentário:

  1. http://www.notapositiva.com/old/resumos/portugues/corridasdecavalos.htm

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