segunda-feira, 30 de abril de 2012

Resumo do capítulo XVIII d'Os Maias

Chegamos enfim ao capítulo final e ao desfecho do romance, onde tudo se resolve, dando-se uma solução à intriga e um destino às personagens.

Passaram-se semanas após a partida de Mª Eduarda para França. Entretanto saiu na “ Gazeta Ilustrada “ a notícia acerca da partida de Carlos e Ega numa longa viagem pelo mundo: Londres, Nova York, China, Japão. Ega regressou um ano e meio depois desta viagem, informando que Carlos tinha ficado em Paris, onde alugara um apartamento e de onde não desejava regressar, tendo perdido o interesse por Portugal. Entretanto Ega revelou o seu propósito de escrever um livro com o título “ Jornadas de Ásia “.
Dez anos depois Carlos visita Lisboa, regressando da sua longa viagem. Carlos não tem intenções de se demorar muito tempo, querendo apenas tratar de alguns assuntos e matar saudades dos amigos.
Carlos almoça com Ega no hotel Bragança. Ega conta, então, as últimas novidades: a sua mãe morrera, tendo-lhe deixado uma boa herança; madame Gouvarinho tinha herdado uma fortuna de uma tia e tinha então melhores carruagens, continuando a receber às terças-feiras. Apareceram então o poeta Alencar e o maestro Cruges. Alencar tinha ao seu cuidado uma sobrinha que tinha ficado sem mãe e Cruges escrevera uma ópera cómica, a “ Flor de Granada “, que lhe valera o merecido reconhecimento.  
Por fim separaram-se, após Carlos os ter convidado para jantar, combinando um encontro às seis horas.
Entretanto Carlos e Ega iam visitar o Ramalhete. Passaram pelo Largo do Loreto e Carlos espantava-se com o facto de nada ter mudado. Ao descerem o Chiado, Carlos teve também a mesma impressão, encontrado às portas dos cafés as mesmas pessoas que por lá se detinham dez anos atrás, com o seu ar triste e apagado.
Pelo caminho cruzaram-se com o Dâmaso, que casara com a filha dos condes de Águeda, uma gente arruinada. Dâmaso sustentava a família e além disso a mulher traía-o, mas ele até parecia dar-se bem com isso, uma vez que até tinha engordado. Passaram em frente do consultório de Carlos e reviveram momentos do passado, quando se instalaram em Lisboa, cheios de projetos. Recordaram também alguns amigos, como o Sequeira, o marquês de Sousela e a D. Maria da Cunha, que já tinham morrido, D. Diogo, que tinha casado com a cozinheira, Craft, que se tinha mudado para Londres, Steinbroken, que era ministro em Atenas, Taveira, que continuava igual.
Chegaram depois à avenida, que tinha sido renovada, mas Carlos espantava-se com o aspeto molengão dos rapazes que por ali passeavam, vestindo segundo os figurinos franceses, mas de um modo servil, exagerado e ridículo, sem nenhuma originalidade.
Os dois amigos concluíram então que o que se mantinha genuíno em Lisboa era o alto da cidade, com o seu castelo, o casario, os palacetes, os conventos e as igrejas.   
A certa altura viram passar uma vitória com duas éguas inglesas, que trazia uma rapaz loiro, com um aspeto delicado. Carlos não o reconheceu e Ega lembrou-lhe que era Charlie, o filho de madame Gouvarinho, seu antigo doente. Ele estava já um homem, mas mantinha uma amizade com um velho, revelando tendências homossexuais.
 Depararam ainda com Eusebiozinho, que subia a avenida, de braço dado com uma mulher muito forte. Ele tinha sido obrigado a casar com essa mulher, porque o pai dela, dono de um prego, os tinha apanhado num encontro. Eusebiozinho tinha um aspeto ainda mais triste e molengão e dizia-se que a mulher lhe batia.
Carlos, recordando o artigo publicado no jornal “ A Corneta do Diabo “, a mando de Dâmaso e de Eusebiozinho, perguntou então por Palma Cavalão e Ega esclareceu que ele tinha deixado a literatura e se dedicava à política.
Apanharam depois uma tipóia para o Ramalhete. Viram Alencar ao longe e Ega explicou a Carlos a sua amizade por ele, por ser um dos poucos homens que se mantinha genuíno e com um sentido de honestidade, lealdade e generosidade.
O procurador Vilaça já os esperava à porta do Ramalhete e apresentou-lhes o jardineiro que ali vivia com a mulher e o filho, guardando o casarão.
Os dois amigos percorreram então a casa, passando pelas diversas salas, onde se guardavam os móveis e outros objetos trazidos da Toca. Entraram emocionados no escritório de Afonso, onde romperam em espirros, devido a um pó que Vilaça colocara sobre os móveis e os lençóis que os tapavam. Alguns móveis já estavam preparados para serem levados para Paris, onde Carlos fixara a sua morada. Relembrando o reverendo Bonifácio, o gato de estimação de Afonso, Carlos falou sobre a sua morte em Santa Olávia e sobre o mausoléu que Vilaça lhe mandara fazer.
Sentaram-se no terraço e observaram o jardim, que tinha um aspeto melancólico, simbolizando a decadência da família, com a estátua de Vénus coberta de alguma ferrugem, o pranto da cascata e o cipreste e o cedro envelhecendo juntos, “ como dois amigos num ermo “.
A propósito de Maria Eduarda, Carlos comunicou então ao amigo a notícia de que ela ia casar, numa resolução de encarar a velhice com o apoio de um homem de bem e que tinha afinidades com ela.
Já no quarto de Carlos, revendo a sua mocidade, os dois concluíram que ambos tinham falhado na vida, não tendo levado por diante os seus projetos. Carlos refletiu que só tinha vivido dois anos naquela casa, mas que era ali que estava toda a sua vida. Ega não se admirou, porque fora nesses dois anos que Carlos viveu uma paixão. Esta era uma ideia de românticos, mas Ega reconheceu que afinal todas as criaturas são românticas, governando-se pelo sentimento mais do que pela razão.
Por fim decidiram fixar a sua teoria sobre a vida, o “ fatalismo muçulmano “, que consistia em não ter ambições nem esperanças e tudo aceitar com resignação e com a consciência acerca da impossibilidade de se ter qualquer controlo sobre a vida.    
Em suma, qualquer esforço se tornava inútil e não valia a pena correr para nada, “ nem para o amor nem para a glória nem para o dinheiro nem para o poder “. Por fim, já na rua, aperceberam-se do adiantado da hora (6.15h) e correram desesperadamente para apanhar um americano. Afinal, tendo eles decidido que não valia a pena correr fosse para o que fosse, apenas apressavam o passo para satisfazerem os apetites do estômago, pois estavam atrasados para o jantar que Carlos tinha marcado no hotel Bragança e Carlos tinha vontade de ainda mandar preparar um prato de paio com ervilhas.


A intriga principal terminou com a descoberta dos laços de parentesco existentes entre Carlos e Mª Eduarda, o que levou à morte de Afonso, à partida de Mª Eduarda para França e à decisão de Carlos de viver no estrangeiro, mas podemos considerar que a ação continua em aberto, surgindo as seguintes perguntas: Será que Carlos vai continuar a levar uma vida fútil de homem rico, passeando por Paris, ou, quem sabe, poderá até voltar a apaixonar-se, abandonando a ociosidade e entregando-se finalmente aos seus projetos da mocidade? E Ega, virá enfim a escrever os sus livros? Considerando o decadentismo da geração de 70, da qual fazia parte Eça de Queirós, o leitor fica certamente desencantado com este desfecho que nos aponta para uma situação de desistência nas personagens e de crise e estagnação no país, já tão familiar aos portugueses. Os episódios da vida social não se esgotam no final desta trama realista, sendo sempre fácil imaginar outros que poderiam dar sequência a este romance. Quem sabe talvez até pudéssemos imaginar outros enredos nos quais nos surgissem portugueses empenhados em “ arregaçar as mangas “, teimando em vencer a decadência para onde de vez em quando nos conduzem as forças da inércia?
Neste capítulo final, percebemos como esta obra mantém ainda a sua atualidade, justificando-se a sua leitura, pelas linhas de reflexão que nos propõe.

Autor: Pedro Antunes, nº 20, 11º L3

6 comentários:

  1. Sao a minha salvacao. Fiquei a perceber muito melhor este capitulo :)

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  2. Obrigado por colocarem este resumo na net, porque percebe-se muito melhor do que só lê-lo.

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  3. Muito obrigada por terem colocado este resumo aqui. Ajudou-me bastante!

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  4. obg pelo resumo, ajudou imenso no meu trabalho

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  5. Obrigado pelos resumo . Tomará que ajude muitas pessoas no futuro , como me ajudou a mim

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