segunda-feira, 30 de abril de 2012

Resumo do capítulo XVII d'Os Maias

Ega tem em mãos a tarefa difícil de fazer chegar a Carlos a revelação de que ele é irmão de Maria Eduarda. Faltando-lhe a coragem, incumbe o procurador Vilaça de entregar ao amigo o cofre deixado por Maria Monforte. Vive-se um momento dramático, tendo em conta a mudança de rumo que seguem os amores das duas personagens principais do romance. A ação avança precipitadamente em direção a um desfecho trágico.

No Ramalhete, Ega foi acordado por Baptista às sete horas da manhã. Não tendo coragem para revelar a verdade a Carlos acerca do seu parentesco com Maria Eduarda, Ega inventou uma ida a Sintra como desculpa para não passar a tarde com o amigo. Para resolver o problema da entrega a Carlos dos papéis que o senhor Guimarães lhe confiara, Ega tinha marcado um encontro com o procurador Vilaça.
Quando Ega finalmente se encontrou com o procurador, contou-lhe toda a história, incumbindo-o de revelar a verdade a Carlos.
Vilaça apareceu então no Ramalhete e expôs a situação a Carlos. Sentindo-se desesperado, Carlos convocou a presença do avô, na esperança de que houvesse um desmentido, mas o avô não tinha respostas para lhe dar.
Afonso revelou a Ega que conhecia a relação que unia Carlos a Mª Eduarda e que naquele momento se tornava incestuosa.
Entretanto Carlos planeou uma mentira para ganhar tempo, enquanto não contava a Mª Eduarda a verdade sobre eles. Acontece, no entanto, que Carlos, na presença de Mª Eduarda, não soube resistir-lhe e cometeu incesto conscientemente, por vontade própria.
Apesar da grande paixão que existia entre ambos, Carlos começou então a sentir repugnância física por Maria Eduarda, devido à consciência de que ela era sua irmã. Carlos começava também a ter consciência do sofrimento que causava a seu avô, ao seu amigo Ega e mesmo a si próprio.
Uma noite, quando regressava de um encontro com Maria Eduarda, procurando entrar sub-repticiamente em casa, sem ninguém dar conta, cruzou-se com o avô, que o esperava, para o acusar com o seu olhar reprovador, sem lhe dizer uma palavra.
Na manhã seguinte Carlos foi chamado ao jardim, onde os criados tinham encontrado o seu avô morto, caído sobre a mesa.
Carlos sentiu-se culpado e atormentado pelo remorso, pois sabia que o seu avô tinha morrido de desgosto. Afonso da Maia, depois de ter enfrentado todos os desaires da sua vida, não conseguiria sobreviver à dura prova de ver o seu neto a cometer incesto voluntariamente.
Após o funeral do avô, Carlos viajou para a quinta de Santa Olávia, deixando dinheiro a Ega para que o entregasse a Mª Eduarda, juntamente com o conteúdo da carta de Mª Monforte.
Maria partiu então no comboio que a levaria a França. Ega acompanhou-a até ao Entroncamento, onde saiu, para depois ir ao encontro de Carlos à quinta de Santa Olávia.


A leitura deste capítulo permite-nos reconhecer uma característica do caráter de Carlos, que é hereditária. Assim, apesar da educação à inglesa a que fora sujeito, com o propósito de se fazer um homem de caráter forte, ele acaba por se revelar um ser frágil, num momento em que precisa de pôr determinadamente um termo à sua relação incestuosa. Neste momento da ação Carlos assemelha-se ao pai, mostrando-se incapaz de tomar uma decisão e adiando sempre para mais tarde a tarefa de revelar a verdade a Maria Eduarda.
O romance poderia certamente terminar neste momento da ação, mas o certo é que a vida de Carlos continua, assim como a do amigo Ega, de Mª Eduarda e da filha…
Como se irá desenrolar a vida destas personagens. E como irá evoluir o ambiente socio-político-cultural em Portugal???


Autores: Rafael Fernandes, nº 21, e, Tiago Pais, nº 27.

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